Cirurgia robótica no tórax: como funciona e o que muda em relação à cirurgia por vídeo
Quem controla o robô, o que a técnica acrescenta à cirurgia por vídeo e por que a escolha depende do caso, do hospital e do convênio.
Por Dr. Filippe Gouvêa · Cirurgião Torácico · CRM-PE 20383 · RQE 8414
“Cirurgia robótica” dá a impressão de que uma máquina opera sozinha. Não é assim. O robô é um instrumento: quem opera é o cirurgião, sentado num console dentro da sala, controlando cada movimento.
Como funciona
A cirurgia é feita por cortes pequenos na lateral do tórax, como na cirurgia por vídeo. Por esses cortes entram uma câmera e pinças finas, presas aos braços do robô.
No console, o cirurgião vê o interior do tórax em imagem tridimensional e ampliada, e move as pinças com as mãos. O sistema reproduz esses movimentos em escala menor e filtra o tremor natural da mão. As pinças têm articulação na ponta, o que permite movimentos que a pinça reta da cirurgia por vídeo não faz.
Ao lado do paciente fica sempre uma equipe: cirurgião auxiliar, anestesista e enfermagem.
O que muda em relação à cirurgia por vídeo
As duas são minimamente invasivas: evitam a abertura grande do tórax, a toracotomia, e costumam permitir recuperação mais rápida do que a cirurgia aberta.
O que a robótica acrescenta é a imagem em três dimensões e a liberdade de movimento das pinças. Isso ajuda principalmente em espaços estreitos e em etapas delicadas, como a dissecção de vasos e a retirada dos gânglios do mediastino.
Robótica não é sinônimo de melhor para todos os casos. A cirurgia por vídeo tem resultados bem estabelecidos e segue sendo a escolha certa em muitas situações.
Em que cirurgias ela é usada
No tórax, a assistência robótica é usada em cirurgias como:
- lobectomia, a retirada de um lobo do pulmão, e segmentectomia, a retirada de uma parte menor dele, inclusive no tratamento do câncer de pulmão em estágio inicial;
- retirada de tumores do mediastino, como os do timo;
- algumas cirurgias de diafragma.
O que define a escolha da técnica
Três coisas entram na decisão:
- A doença. O tamanho e a posição da lesão, e o que precisa ser retirado.
- O hospital. Nem todo hospital tem o robô, e a cirurgia acontece onde ele está disponível.
- A cobertura do convênio. A via robótica nem sempre está coberta, e isso é verificado antes de marcar a cirurgia.
Por isso a técnica é decidida na consulta, com os exames em mãos, e não antes.
Formação
A cirurgia robótica pede treinamento específico, além da formação em cirurgia torácica. A formação do Dr. Filippe Gouvêa inclui pós-graduação em Cirurgia Torácica Robótica pelo Hospital Israelita Albert Einstein.
Se você recebeu uma indicação de cirurgia
Leve à consulta os exames de imagem com as imagens, o resultado da biópsia, se houver, e o relatório de quem indicou. É com eles que se define a técnica indicada para o seu caso. Para saber o que a especialidade trata, veja o que faz um cirurgião torácico em Recife.
Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica, o diagnóstico ou a orientação individual. Nenhum resultado é prometido: a indicação de qualquer tratamento depende da avaliação de cada caso.