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Dr. Filippe Gouvêa Cirurgião Torácico · CRM-PE 20383 · RQE 8414

Pectus excavatum e carinatum: colete ou cirurgia? O que a avaliação leva em conta

O que muda entre excavatum e carinatum, por que o momento do crescimento importa e o que a avaliação por imagem responde.

Por Dr. Filippe Gouvêa · Cirurgião Torácico · CRM-PE 20383 · RQE 8414

O pectus é uma alteração no crescimento das cartilagens que ligam as costelas ao esterno, o osso do meio do peito. Quando essas cartilagens crescem mais do que o esperado, elas empurram o esterno e mudam o formato da parede do tórax.

Existem duas formas, e elas não se tratam do mesmo jeito:

  • Pectus excavatum: o peito afunda no centro. É a forma mais comum e a mais conhecida como “peito escavado”.
  • Pectus carinatum: o peito se projeta para a frente. É o chamado “peito de pombo”.

Por que costuma aparecer na adolescência

Na maioria das vezes a alteração já existe antes, discreta, e fica evidente no estirão do crescimento. É a fase em que o tórax se desenvolve rápido, e em que a diferença passa a ser notada pela própria pessoa.

É também a fase em que o incômodo aparece sem ser dito. Poucos adolescentes falam sobre o assunto; muitos simplesmente deixam de tirar a camisa na praia, de ir à piscina ou de frequentar a academia. Reparar nessa mudança de comportamento costuma ser o que leva a família a procurar avaliação.

O que a avaliação leva em conta

A conversa sobre tratamento só faz sentido depois de quatro respostas:

  1. Qual é a forma: excavatum ou carinatum, porque o caminho muda.
  2. Qual é o grau: medido em exame de imagem, e não a olho.
  3. Em que ponto do crescimento a pessoa está: é isso que define se o tórax ainda é flexível.
  4. O quanto incomoda quem convive com o pectus: aqui quem responde é o paciente, não a família nem o médico.

Esse último ponto costuma ser decisivo. O pectus, na maioria das pessoas, não é grave. Dá para conviver com ele a vida inteira, e muita gente convive. Tratar é uma escolha informada, não uma obrigação.

O colete compressivo

No carinatum, quando o tórax ainda está em crescimento e é flexível, o primeiro caminho costuma ser o colete compressivo. Ele aplica pressão controlada sobre a região projetada e é usado por um período de meses, com acompanhamento.

O colete depende da flexibilidade do tórax, e é por isso que o momento importa tanto. Fora dessa janela, ou quando não há resposta, a conversa muda.

A cirurgia

No excavatum, a correção pode ser feita por cirurgia minimamente invasiva: através de cortes pequenos na lateral do tórax, uma barra metálica é posicionada por baixo do esterno e o sustenta na posição correta. Ela permanece por um período e depois é retirada em um segundo procedimento.

A indicação, a técnica e o momento certo são definidos caso a caso, a partir do exame de imagem e da avaliação clínica. Prazo, internação e retorno às atividades também se discutem na consulta, porque variam com o caso e com a técnica escolhida.

E no adulto?

Pectus não tem idade limite para ser avaliado. Muita gente só procura depois dos 20 ou dos 30 anos, porque o incômodo nunca passou, porque na adolescência ninguém falou que havia tratamento ou porque começou a sentir cansaço ao esforço ou desconforto no peito.

No adulto o tórax já terminou de crescer e é mais rígido, e isso muda a conversa em dois pontos:

  • O colete perde espaço. Ele depende da flexibilidade do tórax, então no adulto costuma ser uma opção mais limitada.
  • A cirurgia continua sendo possível, mas o planejamento leva em conta essa rigidez, e a recuperação costuma pedir mais cuidado do que na adolescência.

A avaliação segue as mesmas quatro perguntas. Quando há queixa de cansaço ou falta de ar, ela pode incluir exames que olham o coração e o pulmão, para separar o que é do pectus do que tem outra causa.

Se você é o pai ou a mãe

Três coisas ajudam mais do que qualquer outra:

  • Levar a sério o incômodo, mesmo que pareça pequeno visto de fora.
  • Avaliar na fase certa, porque algumas opções dependem do crescimento e não voltam depois.
  • Deixar o adolescente participar da conversa, já que é ele quem vai conviver com a decisão.

Uma avaliação não compromete ninguém com uma cirurgia. Ela responde o que existe, o que dá para fazer e em que momento. Essa resposta, por si só, já tira muita coisa da cabeça de quem está adiando o assunto há anos.

Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica, o diagnóstico ou a orientação individual. Nenhum resultado é prometido: a indicação de qualquer tratamento depende da avaliação de cada caso.