Pneumotórax espontâneo: por que ele pode voltar e quando a cirurgia é indicada
O que é o pulmão colabado, por que o primeiro episódio pede acompanhamento e como a cirurgia reduz a chance de voltar.
Por Dr. Filippe Gouvêa · Cirurgião Torácico · CRM-PE 20383 · RQE 8414
Se você está com dor no peito de início súbito e falta de ar agora, procure um pronto-socorro. Este texto é para depois do atendimento de urgência: para quem já teve um pneumotórax e quer entender o que vem a seguir.
O que é
O pulmão é revestido por uma membrana, a pleura, que também forra o tórax por dentro. No pneumotórax, o ar escapa do pulmão para o espaço entre essas duas camadas, e o pulmão murcha, total ou parcialmente. É o que muita gente chama de pulmão colabado.
Ele é chamado de espontâneo quando acontece sem trauma, como uma batida ou uma fratura de costela. O tipo primário aparece em pessoas sem doença pulmonar conhecida, com mais frequência em homens jovens, altos e magros, e em fumantes. O tipo secundário aparece em quem já tem uma doença do pulmão, como enfisema.
Na maioria dos casos primários, a causa está em pequenas bolhas na ponta do pulmão, chamadas blebs, que se rompem e deixam o ar escapar.
Como ele se manifesta
- Dor no peito de um lado, que começa de repente, muitas vezes em repouso.
- Falta de ar, que pode ser leve ou intensa.
- Sensação de aperto ou de não conseguir encher o peito.
O diagnóstico é feito por radiografia ou tomografia do tórax. O tratamento inicial depende do tamanho do pneumotórax e dos sintomas: pode ser só observação, retirada do ar com agulha ou um dreno no tórax.
Por que ele pode voltar
Quando há bolhas, elas continuam lá depois que o pulmão volta a encher. Por isso parte das pessoas tem um novo pneumotórax, do mesmo lado ou do outro, e o risco aumenta depois do segundo episódio.
É esse o motivo de o primeiro episódio pedir uma consulta com o cirurgião torácico, mesmo depois de resolvido: a tomografia pode mostrar se há bolhas, e isso entra na estimativa do risco de voltar.
Quando a cirurgia é indicada
As situações em que a cirurgia costuma ser considerada são:
- Pneumotórax que voltou, do mesmo lado ou do outro.
- Vazamento de ar que não para com o dreno depois de alguns dias.
- Pneumotórax nos dois lados, ao mesmo tempo ou em momentos diferentes.
- Profissões e atividades de risco, em que um novo episódio seria perigoso, como mergulho e aviação.
A decisão é individual: leva em conta o que a tomografia mostra, quantos episódios houve e a sua rotina.
Como é a cirurgia
É feita por vídeo, com cortes pequenos na lateral do tórax. O cirurgião retira a parte do pulmão que tem as bolhas e trata a pleura para que ela fique aderida ao pulmão. Essa aderência é o que reduz a chance de o pulmão voltar a murchar.
A internação costuma ser curta, e o tempo de volta às atividades, ao esporte e às viagens de avião é combinado na consulta, de acordo com cada caso.
Depois do primeiro episódio
Se você teve um pneumotórax, leve à consulta a radiografia ou a tomografia do atendimento e o resumo da alta. As imagens, junto com o número de episódios e a sua rotina, ajudam a dizer se o seu caso pede só acompanhamento ou se vale operar. Para entender o que mais a especialidade trata, veja o que faz um cirurgião torácico em Recife.
Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica, o diagnóstico ou a orientação individual. Nenhum resultado é prometido: a indicação de qualquer tratamento depende da avaliação de cada caso.