Câncer de pulmão: quando a cirurgia é indicada e o que a avaliação leva em conta
Por que o estágio decide o tratamento, quais exames respondem se a cirurgia é possível e o que acontece depois dela.
Por Dr. Filippe Gouvêa · Cirurgião Torácico · CRM-PE 20383 · RQE 8414
Quando o diagnóstico é câncer de pulmão, uma das primeiras perguntas é se dá para operar. A resposta depende de duas coisas: em que estágio o tumor está e se o pulmão e o resto do corpo aguentam a cirurgia. As duas são avaliadas com exames antes de qualquer decisão.
Por que o estágio decide
O estadiamento descreve o tamanho do tumor, se ele atingiu gânglios e se apareceu em outros lugares do corpo. É ele que orienta o tratamento.
No tipo mais comum, o câncer de pulmão de não pequenas células, e nos estágios iniciais, quando o tumor está restrito ao pulmão, a cirurgia é o principal tratamento e tem intenção de cura. Em estágios intermediários, a cirurgia pode ser combinada com quimioterapia, imunoterapia ou radioterapia, antes ou depois. Nos estágios avançados, o tratamento costuma ser clínico, conduzido pelo oncologista.
É por isso que um nódulo no pulmão acompanhado de perto faz diferença: o que é achado cedo tem mais opções.
Os exames que respondem se dá para operar
- Tomografia de tórax, que mostra o tamanho e a posição do tumor.
- PET-CT, que ajuda a ver se há doença nos gânglios ou fora do pulmão.
- Biópsia, que confirma o tipo de tumor. Em alguns casos a confirmação vem na própria cirurgia.
- Avaliação dos gânglios do mediastino, quando a imagem levanta dúvida.
- Exames de função pulmonar, que medem quanto de pulmão pode ser retirado com segurança.
- Avaliação do coração e da saúde em geral.
Em muitos serviços, o caso é discutido em conjunto por cirurgião torácico, oncologista, pneumologista e radioterapeuta.
Como é a cirurgia
A cirurgia mais comum é a lobectomia, a retirada do lobo do pulmão onde está o tumor, junto com os gânglios da região. Em tumores pequenos e bem localizados, pode ser possível retirar uma parte menor, o segmento.
Sempre que o caso permite, ela é feita de forma minimamente invasiva, por vídeo ou com assistência robótica, com cortes pequenos na lateral do tórax. Respirar com menos pulmão é possível porque a avaliação de antes estima quanto pode ser retirado com segurança.
Depois da cirurgia
O tumor retirado vai para análise, e o resultado define o estágio final. Esse resultado ajuda a definir se o tratamento termina na cirurgia ou se continua com o oncologista.
O acompanhamento segue por anos, com consultas e tomografias periódicas.
Se você recebeu o diagnóstico
Leve à consulta todos os exames com as imagens, o laudo da biópsia, se já houver, e o relatório do médico que pediu a avaliação. Para entender o preparo e a recuperação da cirurgia, veja a página sobre lobectomia. Para saber o que mais a especialidade trata, veja o que faz um cirurgião torácico em Recife.
Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica, o diagnóstico ou a orientação individual. Nenhum resultado é prometido: a indicação de qualquer tratamento depende da avaliação de cada caso.