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Dr. Filippe Gouvêa Cirurgião Torácico · CRM-PE 20383 · RQE 8414

Estenose de traqueia depois da intubação: os sinais, o diagnóstico e o tratamento

Por que a falta de ar pode aparecer semanas depois da UTI, quais sinais fazem pensar na traqueia e como a broncoscopia entra na investigação.

Por Dr. Filippe Gouvêa · Cirurgião Torácico · CRM-PE 20383 · RQE 8414

Se a falta de ar está forte agora, ou se há chiado alto ao respirar em repouso, procure um pronto-socorro. Este texto é para quem está se recuperando de uma internação e percebeu que a respiração não voltou ao normal.

O que é

A traqueia é o tubo que leva o ar da garganta até os pulmões. A estenose de traqueia é um estreitamento desse tubo: a passagem do ar fica menor e respirar exige mais esforço.

A causa mais comum é ter passado por intubação ou traqueostomia, principalmente quando o tubo fica por muitos dias. O tubo que ajuda a respirar durante uma internação, principalmente quando fica por um tempo longo, pressiona a parede da traqueia. Ao cicatrizar, essa parede pode formar um anel de tecido que fecha parte da passagem.

Por que ela aparece semanas depois

A estenose pós-intubação ou pós-traqueostomia costuma aparecer um tempo depois de o tubo ser retirado. Às vezes semanas, às vezes meses. A cicatriz vai se formando aos poucos.

E no começo ela costuma não dar sintoma. A falta de ar só aparece quando a passagem do ar já está bastante reduzida. Por isso o quadro muitas vezes é confundido com outra coisa, como asma ou bronquite, e tratado com bombinha sem melhorar.

Os sinais que fazem pensar na traqueia

  • Falta de ar que vai piorando e não melhora com o broncodilatador, a bombinha.
  • Ruído ao respirar, um som rouco ou agudo que os médicos chamam de cornagem, principalmente no esforço.
  • Dificuldade para eliminar a secreção, com a sensação de que o catarro não sai.

Quando esses sinais aparecem em quem foi intubado ou teve traqueostomia, vale pensar na traqueia antes de pensar em asma.

Como é feito o diagnóstico

A investigação junta a história da internação com exames que mostram a traqueia por dentro e por fora:

  • Tomografia do pescoço e do tórax, que mostra onde fica o estreitamento, a extensão dele e o quanto a passagem diminuiu.
  • Broncoscopia, a endoscopia das vias aéreas, em que o médico vê a traqueia por dentro com uma câmera. Ela confirma o diagnóstico e ajuda a planejar o tratamento. Veja como é a broncoscopia.
  • A espirometria, o exame do sopro, pode mostrar alterações compatíveis com obstrução na via aérea central e ajuda a acompanhar a evolução.

Como é o tratamento

O tratamento vai da dilatação à cirurgia, e depende de como é a lesão: o tamanho, a localização, se o estreitamento é uma membrana fina ou um trecho mais longo, e as condições de saúde de cada pessoa.

  • Tratamento por broncoscopia. Em parte dos casos, o estreitamento pode ser dilatado por dentro da traqueia, sem cortes, às vezes com o auxílio de laser ou de uma prótese. Pode ser preciso repetir o procedimento.
  • Cirurgia da traqueia. Quando a lesão é indicada para cirurgia, o trecho estreitado é retirado e as duas pontas da traqueia são costuradas de novo. É uma cirurgia de área específica dentro da cirurgia torácica, planejada caso a caso.

Qual caminho faz sentido para você é decidido na consulta, com os exames na mão.

O que levar à consulta

Leve o resumo da alta da internação (quanto tempo ficou intubado, se teve traqueostomia), as tomografias e os laudos de broncoscopia que já tiver feito, e a lista dos remédios que usa. A história da UTI é parte importante do raciocínio.

O Dr. Filippe fez fellowship em cirurgia traqueal no InCor. Para entender o que mais a especialidade trata, veja o que faz um cirurgião torácico em Recife.

Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica, o diagnóstico ou a orientação individual. Nenhum resultado é prometido: a indicação de qualquer tratamento depende da avaliação de cada caso.