Simpatectomia: como é a cirurgia de hiperidrose e como é a recuperação
O dia da cirurgia de hiperidrose e as semanas seguintes: anestesia, cortes, internação, dor, retorno às atividades e os sinais que pedem contato.
Por Dr. Filippe Gouvêa · Cirurgião Torácico · CRM-PE 20383 · RQE 8414
Quem pesquisa a cirurgia de hiperidrose costuma ter duas perguntas práticas: como ela é feita e quanto tempo leva para voltar à rotina. Este texto acompanha o caminho do dia da cirurgia até as semanas seguintes. Os prazos do seu caso são combinados na consulta, porque dependem do que você faz no dia a dia.
Se você ainda está entendendo se o seu suor é hiperidrose e se a cirurgia faz sentido, a página sobre cirurgia de hiperidrose em Recife explica como é a avaliação.
O que é a simpatectomia torácica
O suor das mãos, das axilas e do rosto é comandado por uma cadeia de nervos que corre dentro do tórax, dos dois lados da coluna: a cadeia simpática. Na hiperidrose primária, esses nervos mandam estímulo demais às glândulas de suor. A simpatectomia interrompe a cadeia simpática em um nível definido, e o comando que chega às glândulas daquela região diminui.
O nível é escolhido conforme a área tratada: mãos, axilas ou rosto. Essa escolha também pesa no risco de suor compensatório, por isso é discutida antes da cirurgia, e não no dia. Qual nível faz sentido no seu caso é explicado na consulta.
No pedido ao convênio e no laudo, o nome costuma aparecer como simpatectomia torácica por videotoracoscopia. É a mesma cirurgia que muita gente procura como “cirurgia do suor”.
Como a cirurgia é feita
A simpatectomia é feita por vídeo. O cirurgião faz cortes pequenos na lateral do tórax, perto da axila, por onde entram uma câmera fina e os instrumentos. Não há corte grande e as costelas não são afastadas.
A anestesia é geral. Para o cirurgião enxergar a cadeia simpática, o pulmão do lado operado é esvaziado temporariamente e depois volta a encher. Em geral, os dois lados são operados no mesmo procedimento.
Existem formas diferentes de interromper a cadeia, como corte, cauterização ou clipe. No fim, o pulmão é reexpandido e os cortes são fechados. As cicatrizes ficam na região da axila, e o aspecto delas com o tempo varia de pele para pele. Como a cirurgia será feita no seu caso, inclusive a técnica, é explicado na consulta.
Quanto tempo dura e como é a internação
A cirurgia em si costuma ser curta. O tempo que a família passa esperando é maior, porque inclui a preparação e a anestesia. A internação também costuma ser curta, e o tempo previsto, o hospital e o dia da alta são combinados antes da cirurgia.
Antes da cirurgia são pedidos exames pré-operatórios, que variam com a idade e a saúde de cada pessoa. No dia, é preciso estar em jejum e ir com um acompanhante. Depois de anestesia geral, ninguém volta para casa dirigindo.
Os primeiros dias em casa
Na alta, a equipe orienta o que esperar e quais atividades leves de casa você já pode fazer, e o ritmo varia de pessoa para pessoa. Os cuidados mais comuns nessa fase:
- manter os curativos como foi orientado na alta, inclusive na hora do banho;
- tomar o analgésico nos horários prescritos, e não só quando a dor aperta;
- caminhar dentro de casa, o que ajuda a respiração;
- evitar carregar peso e fazer esforço com os braços pelo tempo que a equipe indicar.
O efeito sobre o suor e o aparecimento de suor em outras regiões são acompanhados nos retornos. Os dois variam de pessoa para pessoa, e é nos retornos que se vê como o seu corpo respondeu.
A recuperação dói?
Dói, mas em geral é uma dor que o analgésico controla. O desconforto mais comum fica nos cortes e, às vezes, no peito ou nas costas, entre as escápulas, com uma sensação de aperto ao respirar fundo. Tem a ver com a manipulação dentro do tórax e com o pulmão que foi esvaziado e reexpandido. Na recuperação esperada, ele vai diminuindo com os dias, e a equipe orienta o que esperar.
“Simpatectomia dor nas costas” é uma busca frequente, e muitas vezes se refere a esse desconforto da recuperação. O que não é esperado é a dor que piora em vez de melhorar. Se a dor piorar ou vier com falta de ar, procure orientação médica imediatamente; sem contato com a equipe, procure um pronto-socorro.
Quando voltar ao trabalho, aos estudos, a dirigir e a treinar
Os prazos dependem do tipo de trabalho e de como cada pessoa se recupera. Um estudante e alguém que carrega peso no serviço recebem orientações diferentes. A equipe passa na alta o prazo de cada atividade, e a lógica vale para todas: o que pede pouco esforço volta antes do que pede muito.
- Estudos e trabalho sentado: costumam estar entre as primeiras atividades a voltar.
- Trabalho com esforço físico: volta depois, porque carregar peso e usar força com os braços exige mais do tórax.
- Dirigir: quando girar o tronco não doer mais e você não estiver usando remédio que dê sono.
- Caminhada: costuma ser liberada antes dos exercícios mais intensos.
- Musculação, corrida, natação e esporte de contato: ficam para depois, com a liberação da equipe.
- Viagem de avião: pergunte à equipe antes de marcar.
Quantos dias de atestado é uma das perguntas que mais aparecem antes da cirurgia. A resposta honesta é que o número sai da conversa com o cirurgião sobre o que você faz, e não de uma tabela.
Sinais que pedem contato com o cirurgião
Algumas situações não fazem parte da recuperação esperada e pedem contato com a equipe. Se não conseguir falar com ela, procure um pronto-socorro:
- falta de ar que aumenta, ou dor no peito que piora;
- febre;
- vermelhidão, calor ou secreção nos cortes;
- sangramento que não para no curativo.
Complicações são incomuns, mas existem em qualquer cirurgia. Na simpatectomia, as que se explicam antes de operar incluem ar que fica no tórax (pneumotórax), sangramento e, mais raramente, uma alteração na pálpebra e na pupila de um lado do rosto. Os riscos do seu caso são explicados na consulta, antes de qualquer decisão.
O acompanhamento depois da cirurgia
O primeiro retorno, marcado na alta, serve para ver os cortes e como vai a recuperação. Depois disso, o acompanhamento olha sobretudo duas coisas: o suor na região tratada e o suor que aparece em outras partes do corpo.
Esse segundo ponto é o suor compensatório: o suor aumenta em regiões como costas, abdome e pernas. É o efeito adverso mais comum da simpatectomia. A intensidade varia: em algumas pessoas é discreto, em outras afeta a rotina, e não há como prever com certeza quem terá a forma mais intensa. Vale ler sobre ele antes de decidir: o texto sobre suor compensatório depois da simpatectomia explica por que ele acontece e o que se pode fazer quando incomoda.
Se a sua dúvida agora é autorização e cobertura, veja como o convênio autoriza a cirurgia de hiperidrose.
Perguntas frequentes
A simpatectomia é feita com anestesia geral?
Sim. Você dorme durante toda a cirurgia. Para o cirurgião enxergar a cadeia simpática, o pulmão do lado operado é esvaziado temporariamente e depois volta a encher.
A cicatriz fica aparente?
Os cortes são pequenos e ficam na lateral do tórax, perto da axila. O aspecto da cicatriz com o tempo varia de pessoa para pessoa, e a equipe orienta os cuidados.
Os dois lados são operados no mesmo dia?
Em geral, sim, no mesmo procedimento. Como será no seu caso é decidido na consulta.
Quantos dias de atestado depois da simpatectomia?
Depende do seu trabalho. Quem estuda ou trabalha sentado costuma voltar antes de quem faz esforço físico, e o prazo do seu caso é passado pela equipe.
O suor pode voltar depois da cirurgia?
Pode, mas não é o comum. Suor que volta na região operada é diferente do suor compensatório, que aparece em outras regiões. Os dois são conversados antes da cirurgia.
Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica, o diagnóstico ou a orientação individual. Nenhum resultado é prometido: a indicação de qualquer tratamento depende da avaliação de cada caso.